Inclusão Escolar de alunos com surdez: desafios e possibilidades
Historicamente,
poucos são os registros de como era a relação da sociedade com as pessoas
surdas antigamente. Porém, para que se tenha a dimensão do entendimento que
esta tem sobre o educando surdo, precisamos nos transportar ao passado, nas
diferentes épocas e buscarmos retratar as idéias das diferenças individuais que
têm impulsionado e se refletido no modelo atual de educação bilíngüe.
Apresentaremos de forma breve um pouco da história da educação das pessoas com
surdez, enfocando as principais abordagens teóricas: O oralismo, a comunicação
total e o bilingüismo. O oralismo visava à capacitação da pessoa com surdez
para que pudesse utilizar a língua da comunidade ouvinte na modalidade oral,
como única possibilidade lingüística. Por quase um século não se questionou o
método oral, apenas se seguia suas orientações. Embora não mostrassem avanços
significativos, não se questionava sua metodologia.
A
proposta da comunicação total buscava combinar a língua de sinais, a língua
oral, a leitura labial, o treino auditivo e o alfabeto manual. Só que esta
concepção não valorizou a língua de sinais, pode se dizer que a comunicação
total era uma feição do oralismo.
Uma
nova alternativa educacional aponta para uma possibilidade de educação
bilíngüe. Essa abordagem acredita que o surdo pode utilizar a língua de sinais
como primeira língua e a língua oral como segunda, e não as duas ao mesmo
tempo.
Atualmente
a educação da pessoa surda, no Brasil, volta-se para uma educação bilíngüe em
que a Libras é considerada a língua materna e a língua portuguesa a segunda
língua.
Esse
reconhecimento ocorre pela legitimação a dispositivos legais do Decreto 5.626
de 5 de Dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a
formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua
Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita constituam línguas de
instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no
ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo processo educativo.
( Damázio; Ferreira – 2010)
Apesar
de os documentos reconhecerem a Libras como língua oficial e os sistemas
públicos e privados de ensino oferecerem cursos de formação de professores e
interpretes para atuarem como profissionais nos diferentes segmentos da
sociedade, evidenciamos que muito ainda falta para que a escola esteja
efetivamente preparada para atender os educandos que apresentam surdez.
Nesse
sentido, apesar dos avanços em termos de concepções e práticas frente aos
educandos com surdez presentes em nossa escola bem como reconhecimento da
abordagem bilíngüe para inclusão da pessoa surda, podemos afirmar que, ainda
hoje, essas três abordagens coexistem em muitas realidades.
Isso
decorre, principalmente, devido à falta de profissionais capacitados ao
descumprimento das garantias legais entre outras o que causa vários debates e
diversos conflitos no âmbito educacional.
Contudo,
não podemos deixar de considerar que esses avanços são recentes e por isso
causa tanto estranhamento e resistência. Portanto, falar da educação de alunos
que apresenta surdez, numa perspectiva inclusiva, conduz a esse olhar pela
história, nos permitindo compreender questões políticas, culturais e
lingüísticas que estão por trás dessas práticas educativas.
Referências Bibliográficas
Inclusão:
Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação Especial. V. 5, n. 1 (
jan/jul) – Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010.
Inclusão
escolar de alunos com surdez: modulo didáticos 6/ Katiene Symone de Brito
Pessoa da Silva – Natal, RN: EDUFRN, 2011.
DAMÁZIO,
Mirlene Ferreira Macedo. Atendimento Educacional Especializado – Pessoa com
Surdez. Cáp II. Brasília/ DF – 2007.