sábado, 28 de junho de 2014

Reflexão do texto " O modelo dos modelos" - Italo Calvino






O texto em questão " O modelo dos modelos" tem como finalidade nos evidenciar a respeito da premissa que não há um padrão preestabelecido de modelo a ser seguido na prática cotidiana.
Aproveitando o ensejo teceremos algumas considerações acerca das práticas pedagógicas e do processo de inclusão vivenciado pelas escolas.
Essas reflexões nos fazem refletir quão contraditórias podem ser as práticas pedagógicas que intencionam o processo de construção de conhecimento em nossas escolas. Ao mesmo tempo, em que nos propomos a educar as crianças de forma autônoma e significativa para que estas re/construam  conhecimentos. Constatamos que muitas práticas nossas estão, focadas no ensino, desconhecendo os caminhos que possibilitam a re/construção do conhecimento e a aprendizagem dos alunos.
Considerando essa concepção de ensino como predominante nas nossas escolas, por mais que encontremos inúmeros esforços, práticas e experiências que demonstrem avançar dessa perspectiva, temos aí um grande desafio para pensar numa escola inclusiva de modo a garantir a educação para todos.
Diante deste cenário, o AEE vem para contribuir com uma educação que dê direito de voz ao deficiente, que lhe propicie o desenvolvimento de sua autonomia e lhe traga inserção social.
O educando deve escrever sua história na interação com o mundo e mediado por este. Deve ter direito a vida e oportunidades de ter contato com desafios que podem ser superados, extinguindo-se as práticas onde já lhe são proporcionadas demandas simplificadas, porque acredita-se apenas em suas limitações e deixa-se de olhar para suas potencialidades.
O objetivo do AEE é remover barreiras atitudinais e físicas que evidenciam a deficiência.  Ao aluno deve ser oportunizada a permanência na escola comum, viabilizando recursos e serviços especializados para seu atendimento. Os currículos, métodos, técnicas e recursos devem ser organizados com base na diversidade, favorecendo o acesso dos alunos com deficiência na sala comum.
Estes são alguns parâmetros legais para a educação dos alunos com deficiência e devem levar a  reflexão que surtam efeitos na prática. Contudo, a realidade que se percebe é a existência de conteúdos reunidos em um currículo fechado, pouco flexível e que engessa as possibilidade de trabalho do professor com os alunos com deficiência.
Conclui-se que não existe modelos, entretanto, é necessário pensar formas de construção de um ambiente escolar que atenda a todos. Entendemos que a constituição de novas práticas pedagógicas implica na produção de olhares que considerem as diferenças dos aprendizes. Acredita-se numa outra perspectiva de educação que se constitui a partir das políticas públicas de inclusão escolar, na tentativa de romper com essa visão homogênea e com o pensamento binário, em que se tem tensionado a produção de outros olhares sobre as diferenças na escola.
O desafio lançado ao AEE, frente a construção de outras práticas pedagógicas, exige um processo de formação permanente, possibilitado pela reflexão sobre o trabalho desenvolvido na escola.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS PARA APOIAR ALUNO COM TGD / TEA.

                     Recursos e estratégias para apoiar aluno com TGD /TEA.

     

 Bosa ( 2002), salienta a forma que a pessoa com autismo se expressa, a fim de comunicar suas necessidades e desejos, normalmente não é imediatamente compreendida. 
     Mediante essa constatação, propomos algumas atividades de comunicação alternativa para ser utilizada na sala de AEE, como também na sala de aula por alunos com TGD, visando contribuir com os déficits na comunicação e no desenvolvimento da linguagem. 



-> Jogos construídos com rolinhos de papel higiênicos. 





Jogos construídos com rolinhos de papel higiênicos (sucata) e tampas auxiliam na discriminação visual com comandos ou não. De acordo com à faixa etária, o professor  pode ir aumentando o grau de dificuldade. Estes jogos trabalham o raciocínio, passando gradativamente do concreto para o abstrato. As crianças com TGD poderá organizar o pensamento, assimilando conceitos básicos de cor, forma e tamanho.

Local de utilização: Sala de aula comum e sala de AEE.




->  1 - Como Estou hoje?




 O aluno pode demonstrar através de cartões como está se sentindo: Irritado, Alegre, Triste, Surpreso.


2 -  Pareamento de letras à vista de uma figura conhecida




3-  Conceito Matemático: Grande X Pequeno





A aprendizagem de Autistas se dá através de uma abordagem vivencial.   Todos os momentos e ambientes são utilizados como objetos de estudo. Na sala de aula, no parque, em casa, sempre haverá o que ser usado como objetos de aprendizagem. Na Escola, primeiro exploramos a própria sala de aula depois os demais ambientes. Devemos dar importância ao que mais agrada a criança para se iniciar um trabalho de adaptação/familiarização professor X aluno.




-> Prancha com símbolos PCS 




Visualiza-se uma prancha de comunicação com dezoito símbolos gráficos PCS cujas mensagens servirão para escolher alimentos e bebidas. Os símbolos PCS estão organizados por cores nas categorias social (oi, podes ajudar?, obrigada); pessoas (eu, você, nós); verbos (quero, comer, beber); substantivos (bolo, sorvete, fruta, leite, suco de maçã e suco de laranja) e adjetivos (quente, frio e gostoso).






De acordo com o explanado, o professor de AEE poderá realizar intervenções para garantir a utilização de material específico da comunicação aumentativa e alternativa ( pranchas, cartões de comunicação e outros), que atendam a necessidade do aluno no espaço escolar. 








REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


<http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acessado em: 02/06/2014 às 14:00 hras.

<http://aeenadiversidade.blogspot.com.br>. Acessado em: 03/06/2014 às 18 hras.

Tecnologia assistiva - Miryam Pelosi - <http://wwww.comunicacaoalternativa.com.br/>. Acessado em: 03/06/2014 às 19 hras. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Texto informativo: Diferenças entre surdocegueira e deficiência múltipla.

             No presente item, serão abordadas algumas das diferenças especificas das deficiências múltiplas e da surdocegueira que permitam ao leitor o acesso a um conhecimento mais amplo sobre elas.
Embasados nos fundamentos teóricos indicados para essa disciplina podemos discorrer que embora a surdocegueira possua duas deficiências associadas a surdez e a cegueira não se trata do somatório de ambas mas uma deficiência única que apresenta característica peculiares como graves perdas auditivas e visual. Não há necessariamente uma perda total dos sentidos.
           Os tipos de surdocegueira são identificados por indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos, indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos, indivíduos que se tornaram surdocegos e indivíduos que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente. (MCINESS 1999) In:  v.5.  ( Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).
           As pessoas que possuem surdocegueira podem ser classificadas de duas formas, sendo estas a pré- lingüísticas e pós- lingüísticas. O surdo pré – lingüístico é aquele que nasce surdocego ou adquire surdocegueira ainda bebê, antes da aquisição de uma língua, apresentando graves perdas visuais e auditivas combinadas.
           O surdo pós – lingüístico é aquele que apresenta uma deficiência sensorial ( auditiva ou visual) e adquire a outra após a aquisição de uma língua ( portuguesa ou de sinais) ou adquire a surdo cegueira, após já comunicar-se por algum idioma sem postar nenhuma deficiência anteriormente.
            Então definimos surdocegueira como uma deficiência única que apresenta perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distancia, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, recreativas, sociais para acessar informações e compreender o mundo que o cerca.
            Enquanto que a múltipla  deficiência sensorial é a deficiência auditiva ou a deficiência visual associado a outras deficiências ( mental e/ou física), como também a distúrbios ( neurológicos, emocional, linguagem e desenvolvimento global) que causam atraso no desenvolvimento educacional.
             Podemos perceber através dessa descrição que na deficiência múltipla não é garantido que todas as informações chegue para a pessoa de forma natural, ela sempre terá o auxilio de um dos canais distantes ( visão, audição) como ponto de orientação. 
             Nesse sentido para que ocorra a inclusão e a aprendizagem faz-se necessário que seja desenvolvido um trabalho em equipe onde estejam envolvidas todas as pessoas da comunidade escolar e profissionais da saúde considerando como um dos principais objetivos sobre o enfoco educacional dessas crianças a necessidade de não perder de vista o objetivo último, que é garantir a criança o desenvolvimento máximo de suas capacidades para poder ter uma vida de relação e um aproveitamento de seu tempo de trabalho e lazer mais ricos adaptada e felizes possível.
              Para se estabelecer estratégias de interação e de comunicação nas atividades de aprendizagem devem-se respeitar a individualidade e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla.
           “ Favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância . Assim, deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros , como o gestual.” ( MEC/2010 págs. 11 e 12)







Referências Bibliográficas

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R.Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.


Portal deficientes em ação – Deficiência múltipla. Disponível em: http://www.deficientesemacao.com/deficiencia-multipla.  Acessado em: 18/04/2014 às 09:00h. 

domingo, 9 de março de 2014

Inclusão Escolar de alunos com surdez: desafios e possibilidades


                       Inclusão Escolar de alunos com surdez: desafios e possibilidades

       Historicamente, poucos são os registros de como era a relação da sociedade com as pessoas surdas antigamente. Porém, para que se tenha a dimensão do entendimento que esta tem sobre o educando surdo, precisamos nos transportar ao passado, nas diferentes épocas e buscarmos retratar as idéias das diferenças individuais que têm impulsionado e se refletido no modelo atual de educação bilíngüe. Apresentaremos de forma breve um pouco da história da educação das pessoas com surdez, enfocando as principais abordagens teóricas: O oralismo, a comunicação total e o bilingüismo. O oralismo visava à capacitação da pessoa com surdez para que pudesse utilizar a língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única possibilidade lingüística. Por quase um século não se questionou o método oral, apenas se seguia suas orientações. Embora não mostrassem avanços significativos, não se questionava sua metodologia.
        A proposta da comunicação total buscava combinar a língua de sinais, a língua oral, a leitura labial, o treino auditivo e o alfabeto manual. Só que esta concepção não valorizou a língua de sinais, pode se dizer que a comunicação total era uma feição do oralismo.
       Uma nova alternativa educacional aponta para uma possibilidade de educação bilíngüe. Essa abordagem acredita que o surdo pode utilizar a língua de sinais como primeira língua e a língua oral como segunda, e não as duas ao mesmo tempo.
    Atualmente a educação da pessoa surda, no Brasil, volta-se para uma educação bilíngüe em que a Libras é considerada a língua materna e a língua portuguesa a segunda língua.

Esse reconhecimento ocorre pela legitimação a dispositivos legais do Decreto 5.626 de 5 de Dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo processo educativo. ( Damázio; Ferreira – 2010)


    Apesar de os documentos reconhecerem a Libras como língua oficial e os sistemas públicos e privados de ensino oferecerem cursos de formação de professores e interpretes para atuarem como profissionais nos diferentes segmentos da sociedade, evidenciamos que muito ainda falta para que a escola esteja efetivamente preparada para atender os educandos que apresentam surdez.
      Nesse sentido, apesar dos avanços em termos de concepções e práticas frente aos educandos com surdez presentes em nossa escola bem como reconhecimento da abordagem bilíngüe para inclusão da pessoa surda, podemos afirmar que, ainda hoje, essas três abordagens coexistem em muitas realidades.
Isso decorre, principalmente, devido à falta de profissionais capacitados ao descumprimento das garantias legais entre outras o que causa vários debates e diversos conflitos no âmbito educacional.
       Contudo, não podemos deixar de considerar que esses avanços são recentes e por isso causa tanto estranhamento e resistência. Portanto, falar da educação de alunos que apresenta surdez, numa perspectiva inclusiva, conduz a esse olhar pela história, nos permitindo compreender questões políticas, culturais e lingüísticas que estão por trás dessas práticas educativas.





Referências Bibliográficas
Inclusão: Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação Especial. V. 5, n. 1 ( jan/jul) – Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010.
Inclusão escolar de alunos com surdez: modulo didáticos 6/ Katiene Symone de Brito Pessoa da Silva – Natal, RN: EDUFRN, 2011.

DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Atendimento Educacional Especializado – Pessoa com Surdez. Cáp II. Brasília/ DF – 2007.